
Nunca se sabe o quanto eu te amo.

Uma vez vi um menino de pé descalço andando sem direção, não entendi a intenção, mas eu queria ser esse menino, pra poder andar de pés descalço no chão. Só andar sem me preocupar, sem entender ou imaginar, se um dia eu vou chegar a algum lugar só essa estrada me dirá. Só que o menino não tinha alma, rodava o mundo sem sentir nada, eu não queria estar no seu lugar, pois aquele menino não tinha para onde voltar. A liberdade daquele menino tem um preço que eu nunca hei de pagar.

Traços do que um dia foi minha sanidade sentimental hoje já não me mostram mais um caminho. Feridas que por si próprias viraram buracos, esconderijos reais daquilo que eu chamava de amor. Momentos simplórios, consagrados eternos numa mente devasta. Um bom coração, modificando seu percurso ao longo de uma vida sofrida, cansado de devanear. A melhor parte é que ele ainda acredita que possa encontrar a felicidade, mas a razão já perdeu toda sua força e esperança quando o coração parou de bater forte. A melhor parte é que ele sempre achou que sendo frígido ele não sofreria, culpado seja ele, que numa tentativa falha de não mais sofrer, destruiu todas as suas veias que levavam sangue ao seu coração. Coração que hoje não bate, não pulsa, não clama por amar, só fica ali... Esperando a sua segunda morte, afinal... Sem amor, não se vive.

Há coisas que seu coração não conta nem a você mesmo. Coisas que quando precisas ser ditas ele prefere se calar. O que seu coração não entende é que isso te mata aos poucos, como um corte fundo mal suturado ao passar do tempo ele vai reabrindo, tornando-se um problema muito maior do que era inicialmente. Mas pior do que o seu coração é você mesmo, que acha que ele está quieto demais, mas na verdade foi você que deixou de escutá-lo há muito tempo atrás, e agora se existe um culpado por esta ferida estar enorme, este culpado é você mesmo... E não seu coração, cansado de bater forte tentando te fazer escutar, quase pulando do peito, enquanto a razão te ludibriava com as curtas felicidades da vida. Mas não chore por muito tempo, pois esse coração cansado não quer se afogar pra sempre, se tratando de amor sempre é tempo para recomeçar... E no meio de tantas pessoas, um dia, ele irá bater forte novamente.

Nós vivemos com um único e doloroso propósito... Não, não é encontrar a felicidade. Felicidade segundo o dicionário é um estado, logo não existe felicidade plena, existe momentos de felicidade. Vivemos para ocupar espaços. Espaços físicos e imaginários, espaços que nascemos com eles ou que criamos ao decorrer da vida. O que geralmente acontece é que as peças que preenchem o espaço muitas vezes são deficientes ou erradas. No meu caso a peça que encontrei para preencher meu espaço era completamente perfeita, mas o meu espaço era totalmente deformado e quebrado. Pois a cada peça que ocupava meu espaço o quebrava um pouquinho mais e um dia meu espaço irá desmoronar. Mas até lá eu espero, torcendo, que alguém tenha ocupado todos os seus espaços e você tenha encontrado essa tal de felicidade... Não essa felicidade vendida em comerciais de televisão, mas uma felicidade conquistada todos os dias, por uma peça perfeita, assim como você.
“Eu sou poeta e não aprendi a amar.” - Cassia Eller
Eu não sou poeta, nem por isso aprendi a amar.
“Proponho-me a amar a rosa. Como se isso fosse difícil de fazer. Encanto-me com tal velocidade. Que ninguém consegue entender. Surpreendo-me e me desfaço. Quando pra mim você diz não. Reapareço num dia nublado. Aonde seu sorriso ensolarado olha pra mim. De tão i
ngrato, o destino, me impede de te amar. Coloca em mim espinhos, que ficam a te machucar. Ele me da dois caminhos: Deixe-a ou ame-a sem pensar. Não sabia ele, o pobre destino, que eu poderia errar. Depois de arrancar à rosa do jardim, deixo-a a sangrar... Em algum canto por aí, nunca mais vou ouvi-la chorar. Rosa amada minha, nunca quis te machucar... Foi esse maldito destino, que nunca me deixou te encontrar.”